A renda renascença é uma técnica que teve sua origem na cidade de Veneza, na Itália, em meados do século XVI. Sua chegada ao Brasil se deve às freiras missionárias européias, que se instalaram nos municípios de Poção e Pesqueira, interior de Pernambuco, e passaram a ensinar o ofício às mulheres da região.
O que começou como um hobby acabou se tornando o produto-exportação desses municípios. Da arte da renda renascença depende o sustento de cerca de 90% das famílias locais. Só a Fátima Rendas emprega cerca de 300 mulheres em seu atelier de Pesqueira e realiza um trabalho social com os filhos dessas rendeiras, promovendo oficinas de artes e passando para as crianças a história da renda renascença.
Centenária, passada de geração em geração entre as famílias do lugar, a técnica, confeccionada com agulha, linha e lace de algodão, é famosa pelo estilo de bordado feito exclusivamente a mão. Primeiro, faz-se um desenho sobre um papel vegetal preso em uma pequena almofada.Em seguida, o lacê é então afixado sobre o papel com a ajuda de alfinetes e entremeado pelos diferentes pontos da técnica.
Cada ponto da renda renascença recebe um nome especial, inspirado em sentimentos, elementos da natureza ou alimentos da região. Entre os mais conhecidos e mais utilizados pelas rendeiras estão: aranha, abacaxi, traça, cocada, xerém, amor seguro, laço, sianinha, malha e amarrado.
Hoje, a renda renascença volta para Europa e para outros cantos do mundo, através das criações de artesãos e estilistas pernambucanos. As peças da Fátima Rendas, por exemplo, são admiradas e premiadas em diversos países. Muitas delas são exportadas para lugares como Japão, França e Estados Unidos. |